Adormecido no Vale (RIMBAUD)
É um vão de verdura onde um riacho canta A espalhar pelas ervas farrapos de prata Como se delirasse, e o sol da montanha Num espumar de raios seu clarão desata. Jovem soldado, boca aberta, a testa nua, Banhando a nuca em frescas águas azuis, Dorme estendido e ali sobre a relva flutua, Frágil, no leito verde onde chove luz. Com os pés entre os lírios, sorri mansamente Como sorri no sono um menino doente. Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio. E já não sente o odor das flores, o macio Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito, Tem dois furos vermelhos do lado direito. E a versão em Francês... LE DORMEUR DU VAL C'est un trou de verdure où chante une rivière, Accrochant follement aux herbes des haillons D'argent; où le soleil, de la montagne fière, Luit: c'est un petit val qui mousse de rayons. Un soldat jeune, bouche ouverte, tête nue, Et la nuque baignant dans le frais cresson bleu, Dort; il est étendu da...